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Tendinopatias do quadril (síndrome dolorosa do grande trocânter): entenda DE FATO o que é.

O que é a síndrome dolorosa do grande trocânter?

A síndrome dolorosa do grande trocânter (SDGT) é uma das causas mais frequentes de dor no quadril, caracterizada por dor na região lateral da articulação.

Embora frequentemente chamada de “bursite trocantérica”, atualmente sabemos que, na maioria dos casos, o problema está muito relacionado a tendinopatias dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo, responsáveis pela estabilização da pelve.

Ou seja, trata-se de uma condição associada à sobrecarga e disfunção muscular, e não apenas a um processo inflamatório isolado, seja do tendão ou da bursa.

Como o quadril participa diretamente da estabilidade da pelve e da marcha, alterações nesse sistema podem impactar significativamente o conforto e a funcionalidade no dia a dia.

Por que a tendinopatia do quadril acontece?

A SDGT é uma condição multifatorial, relacionada principalmente à sobrecarga aos tendões e alterações da mecânica do quadril. Entre os fatores mais importantes estão:

Sobrecarga repetitiva.
Fraqueza dos músculos abdutores do quadril.
Alterações no padrão de marcha.
Desequilíbrios musculares.
Aumento da compressão dos tendões contra o grande trocânter.

Do ponto de vista epidemiológico, é mais comum em:

Mulheres entre 40 e 60 anos.
Pacientes com sobrepeso.
Indivíduos com patologia lombar associada.
Pessoas com alterações biomecânicas dos membros inferiores.
Alterações hormonais (menopausa, hipotireoidismo, entre outras).

Assim como em outras condições do quadril, o aparecimento da dor costuma estar relacionado à interação entre carga, função muscular e controle biomecânico.

Sintomas da tendinopatia do quadril

O sintoma mais característico é a dor na lateral do quadril, sobre a região do grande trocânter. Outros sintomas comuns incluem:

Dor ao deitar sobre o lado afetado.
Sensibilidade local ao toque.
Dor ao levantar-se, caminhar ou subir escadas.
Irradiação da dor para a face lateral da coxa.

Tendinopatia do quadril tem cura?

Sim! As tendinopatias do quadril são condições absolutamente tratáveis, embora geralmente exijam um tratamento progressivo, com seguimento e participação ativa do paciente, podendo apresentar períodos de oscilação dos sintomas ao longo do processo. Na maioria dos casos, porém, apresentam boa evolução com tratamento adequado.

O objetivo do tratamento é:

Reduzir a dor inicialmente.
Restaurar a função muscular.
Corrigir a sobrecarga.
Evitar recorrência dos sintomas.

Quando bem conduzido, o tratamento pode levar à resolução completa ou controle duradouro dos sintomas.

Tratamento da síndrome dolorosa do grande trocânter

O tratamento conservador tem como princípio central não apenas tratar a dor, mas reduzir a sobrecarga compressiva sobre os tendões e restaurar a função do sistema musculoesquelético do quadril.

Controle de carga e modificação de hábitos – Especialmente aqueles que aumentam a compressão lateral do quadril.

Reabilitação muscular direcionada – O foco não deve ser apenas no fortalecimento isolado dos abdutores, mas sim na reorganização de toda a cadeia cinética (glúteo máximo, core, estabilidade lombo-pélvica, além do controle neuromuscular em tarefas funcionais como marcha e subida de escadas).

Progressão de carga – Evolução de exercícios isométricos → concêntricos → excêntricos e adaptação individual conforme resposta do paciente. O erro mais comum é tanto o excesso quanto a falta de carga.

Terapias complementares – Podem ser utilizadas em casos selecionados:
Ondas de choque e infiltrações (com critério e indicação adequada).
Essas estratégias auxiliam, mas não substituem a reabilitação.

O tempo de evolução costuma ser um fator ansiogênico para o paciente e deve ser orientado pelo especialista, já que a melhora costuma ocorrer de forma progressiva, ao longo de semanas a meses, dependendo da gravidade e da adesão ao tratamento.

O tratamento cirúrgico raramente necessário, indicado em casos específicos e refratários, ou quando associados a grandes rupturas.
O momento certo de avaliar faz diferença

Muitas vezes, a queixa de dor lateral do quadril é menosprezada e tratada de forma inespecífica, o que pode levar à recorrência. A avaliação, quando realizada por cirurgião especializado, permite:

Identificar a causa real da dor.
Diferenciar de outras patologias do quadril.
Direcionar o tratamento correto.
Acelerar a recuperação.

 

Perguntas Frequentes

Não. Embora o termo “bursite” seja amplamente utilizado, hoje sabemos que, na maioria dos casos, a dor lateral do quadril está relacionada a tendinopatias dos músculos glúteo médio e mínimo, e não apenas a um processo inflamatório da bursa.

Na prática, trata-se de uma condição de sobrecarga e disfunção muscular, em que a bursa pode até estar envolvida, mas raramente é o principal problema. Isso muda diretamente a forma de tratamento, que deve focar na reabilitação muscular e no controle da carga, e não apenas no uso de anti-inflamatórios.

Sim. Com tratamento adequado — principalmente fisioterapia direcionada, progressão de carga e reequilíbrio muscular — a maioria dos pacientes apresenta resolução dos sintomas ou controle duradouro da dor, com retorno progressivo e seguro às atividades.

O ponto-chave é tratar a causa da sobrecarga, e não apenas a dor, o que aumenta significativamente a chance de recuperação completa e reduz o risco de recorrência.

Que tipo de exercício devo realizar no tratamento das tendinopatias? Caminhada, pilates, reforço muscular, hidroginástica?

O mais importante não é um único tipo de exercício, mas sim um programa equilibrado que combine fortalecimento, controle neuromuscular e atividades de baixo impacto.

Na prática:

Reforço muscular (principal) → especialmente para glúteo médio, mínimo, glúteo máximo e core.
Pilates → excelente para controle postural e estabilidade do quadril.
Caminhadas → podem ser mantidas, desde que sem dor ou com sintomas leves e controlados.
Hidroginástica → boa opção em fases de maior dor, por reduzir carga articular.

O ponto-chave é que o exercício deve ser progressivo, bem orientado e adaptado ao seu nível de dor e função. Mais do que escolher a atividade, o objetivo é restaurar a capacidade do tendão de suportar carga, evitando tanto o excesso quanto a falta de estímulo.

Sim, é muito comum. A compressão direta sobre o grande trocânter pode agravar os sintomas.

A recuperação das tendinopatias do quadril não é imediata e depende do estágio da lesão e da forma como o tratamento é conduzido. De acordo com as melhores evidências disponíveis, parte dos pacientes tem boa evolução em 6 a 12 semanas. Porém em quadros mais crônicos os sintomas podem persistir por mais tempo, com até 50% dos pacientes ainda referindo desconforto em 1 ano, sendo fundamental um tratamento bem orientado para resultados duradouros.

A infiltração pode ajudar no controle agudo da dor, especialmente em fases mais sintomáticas, mas não trata a causa do problema. Por isso, deve ser vista como uma ferramenta complementar, facilitando a reabilitação — e não como tratamento isolado.

Em relação à frequência, não existe um número fixo universal, mas infiltrações repetidas devem ser evitadas, pois podem comprometer a qualidade do tendão ao longo do tempo.

É raríssima a necessidade de cirurgia. Ela será indicada apenas em casos persistentes e com lesões estruturais mais avançadas dos tendões (como rupturas parciais ou completas).

 
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